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Sermão no Salmo 45.10 — James Renwick (1662 – 1688)

Há, primeiramente, o prefácio, no primeiro versículo: O meu coração está compondo sobre um bom assunto e etc. O Espírito de Deus, por assim dizer, fervia no coração do salmista, até que obteve vazão; seu coração estava absorto em meditações nobres e doces. Devemos guardar-nos dos pensamentos vãos e estar muito exercitados e ocupados com as coisas celestiais, meditando em Cristo e no céu. Mas, ai! Este não é o nosso exercício. Há,

Em segundo lugar, o assunto do salmista, e este é concernente ao Rei, a saber, Cristo. E as excelências de Cristo são descritas, as quais são muitas, maravilhosas e grandes. Pois,

Versículo 2: Tu és mais belo do que os filhos dos homens, mesmo como homem; mas infinitamente transcendendo a todos eles, como Ele é Deus, sendo a expressa imagem do Pai, e a plenitude da Divindade habita nele corporalmente

Versículo 3: Cinge a tua espada sobre a coxa, ó mais poderoso. E,

Versículos 4-6: Aqui estão a sua glória e majestade manifestas, cavalgando numa postura majestosa, por assim dizer, nesta gloriosa carruagem de quatro rodas. A primeira roda é a majestade; apontando para a sua grandeza, poder e glória. A segunda é a força; demonstrando a sua fidelidade. A terceira é a mansidão; mostrando a sua humildade e condescendência para com os pecadores. A quarta é a justiça; Ele é reto e justo em si mesmo, e torna todo o seu povo justo à sua vista, através da cobertura da sua justiça. Oh! Devemos ansiar e orar por aquele dia em que veremos Cristo cavalgando nessa postura majestosa, mostrando-se ser REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES; e para que Ele cinja a sua espada sobre a coxa, e na sua majestade cavalgue prosperamente, saindo para vencer e para conquistar; subjugando o seu povo mais ao seu serviço, subjugando os seus pecados e corrupções, e despedaçando os seus inimigos, que não se curvam a Ele. O seu cavalgar nesta gloriosa postura pode servir para confortar o seu povo em todos os desencorajamentos e no meio das aflições; pois Ele não tem apenas uma espada para os defender, mas um cetro (o cetro do seu reino é um cetro de equidade) para os governar e guiar; e pode ser, [causa] de terror para todos os seus inimigos: a sua espada de poder os alcançará, e as suas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei, pelas quais os povos caem debaixo dele.

Versículo 7: O teu Deus te ungiu com o óleo de alegria mais do que aos teus companheiros. Cristo não recebeu o Espírito por medida, mas foi cheio do Espírito Santo acima dos seus companheiros, a saber, todos os crentes. Assim, Ele é um Mediador plenamente abastecido e completamente suprido; um Salvador para suprir todas as necessidades do seu povo: Tudo o que eles precisam, encontra-se Nele. Oh! Que condescendência e motivo de admiração é este, que todos os crentes sejam chamados companheiros de Cristo?

Versículo 8. Todas as tuas vestes cheiram a mirra, aloés e cássia, etc. Apontando para isto, que todas as ordenanças de Cristo, designadas em sua Palavra, são os meios que Ele ordenou ao seu povo que utilizasse, e nos quais Ele prometeu ser encontrado por aqueles que o buscam, todas cheiram docemente Dele mesmo. Oh! As suas ordenanças, quando Ele é encontrado nelas, cheiram agradavelmente Dele mesmo; sim, o cheiro delas excede em muito o de aloés, mirra e cássia; sim, e todas as especiarias dos mercadores. Oh! Frequentai as suas ordenanças designadas por Ele mesmo, fazei uso dos meios que Ele aprovará, e Ele será encontrado por vós, e a vossa alma ficará satisfeita como de medula e de gordura. O cheiro que encontrareis será agradável e fragrante, mais do que o da mirra, etc.

Versículo 10, que é o texto, Ouve, ó filha, etc. contém um convite de Cristo à sua igreja e povo, a quem Ele chama sua filha, para deixar o seu povo e esquecer a casa de seu pai.

Para explicar um pouco as palavras, mostrar-vos-ei como a palavra ouvir [ou escutar] tem diversas acepções nas Escrituras:

  1. É tomada por obediência, Josué 1.17: Como em tudo ouvimos a Moisés, assim te ouviremos a ti.
  2. É posta por conceder uma petição, Deuteronômio 9.19: Mas também o Senhor me ouviu desta vez.
  3. É posta por não consentir num pedido, 1 Reis 20.8: Todos os anciãos e todo o povo lhe disseram: Não lhe dês ouvidos, nem consintas.
  4. É o mesmo que prestar atenção, como que encostando o ouvido para ouvir o que é dito, Isaías 49.1: Escutai-me, ó ilhas, e ouvi vós, povos de longe.
  5. É posta por receber instrução, Jeremias 35.13: Não recebereis instrução, para ouvirdes as minhas palavras? diz o Senhor.
  6. É o mesmo que ouvir atentamente, Jó 37.2: Ouvi atentamente o ruído da sua voz, e o som que sai da sua boca.
  7. É o mesmo que inclinar o ouvido, como no texto, uma inclinação do ouvido para ouvir o que é dito: Ouve, ó filha, considera, e inclina o teu ouvido. O Senhor usa estas três expressões: ouve, considera, e inclina o teu ouvido, para demonstrar com quanta seriedade ela deveria ouvir o que Ele estava dizendo: esquece-te também do teu povo e da casa de teu pai; isto é, ela deveria deixar tudo o que tinha do seu primeiro pai Adão, e recebeu na casa dele, e vir para Cristo.

DOUTRINA 1: Que Cristo é muito terno para com o seu povo.

No texto Ele os chama sua filha, e Ele, como um pai, cuida deles. Em Apocalipse 12.1, a sua igreja é chamada mulher, que está sujeita a muitas injúrias e cercada de enfermidades; e assim Ele, como seu cabeça e esposo, cuida deles; sim, o seu cuidado e ternura por eles é tão grande, que Ele leva os cordeiros no seu seio, e guia mansamente aquelas que estão com cria (Isaías 40.11). Ele toma especial nota dos cabritos, a saber, os jovens iniciantes, para que não vagueiem e se desviem. Quando a esposa está buscando direção onde ela poderia encontrar o seu amado, é-lhe dito: vai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores, Cantares 1.7,8. Oh! Que mistério maravilhoso é este no texto? Ele a chama sua filha, e contudo Ele a convida para se casar com Ele, e Ele ser o seu esposo; isto demonstra a relação próxima que existe entre Cristo e o seu povo; a relação mais próxima que existe entre quaisquer [seres] na terra; existe o mesmo entre Ele e o seu povo: Ele é o seu pai, e eles os seus filhos e filhas; Ele o cabeça, e eles os membros; Ele o esposo, e eles a esposa; Ele o Rei, e eles os súditos; Ele o Senhor e mestre, e eles os servos.

Para aplicação. Visto que é assim, que Cristo é tão terno para com o seu povo; isto pode ensinar-nos:

  1. Que devemos sujeitar-nos a Ele, para sermos Dele e para Ele; devemos sujeitar-nos às suas leis e ordenanças, pois todas são fáceis e leves. Sujeitai-vos a Ele, e não contendais contra Ele; não deixeis que os vossos corações se levantem contra a sua soberania, nem contendais contra o seu modo de proceder convosco e com os outros.
  2. Assim como Ele é terno para com o seu povo, assim devemos nós ser ternos para com a sua glória e verdades, para que nós e outros não as prejudiquemos; mas, ai! Onde está o nosso zelo e ternura pelas suas verdades e causa neste dia, quando elas foram e são tão prejudicadas e feridas! E que o vosso zelo pelas suas verdades, e contra os males feitos a elas, apareça. Oh! Sede ternos para com as suas verdades.
  3. Ensina-nos a sermos ternos para com o seu povo, e a sermos ternos uns para com os outros; e se quereis ser ternos uns para com os outros: Então,
    (1.) Devemos amar-nos uns aos outros. Este é um dever muito ordenado e recomendado na Escritura; Cristo o ordena muitas vezes aos seus discípulos, que se amem uns aos outros; e Paulo, nas suas epístolas, insiste muito nisso.
    (2.) Devemos simpatizar uns com os outros. Devemos levar as cargas com todos os seus membros aflitos. Mas, oh! E, ai! Vós neste lado do país [Fife], onde apareceu a vossa simpatia pelo seu povo aflito? Pois tendes estado à vontade e em sossego, enquanto muitos no oeste [da Escócia] foram duramente perseguidos; alguns à errância, agitação e ocultação; outros a grilhões, prisão, banimento e morte pelas suas verdades. Oh! Não fiqueis à vontade, mas preocupai-vos com a sua causa, e simpatizai com o seu povo.
    (3.) Se quisermos ser ternos uns para com os outros, então devemos repreender-nos uns aos outros pelas nossas faltas; este é um grande dever, embora desagradável à natureza, e que muitos não gostam; contudo, repreendermo-nos uns aos outros é muito ordenado e insistido na Palavra, e é o maior ato de amor que podemos mostrar ao nosso irmão, não sofrer o pecado sobre ele, mas repreendê-lo, Levítico 19.17.
    (4.) Se quisermos ser ternos para com o nosso irmão, então devemos retirar-nos dele quando ele andar desordenadamente, depois de todas as nossas admoestações, exortações e repreensões se mostrarem infrutíferas; isto também é um ato de amor para com ele, mas deve ser a última coisa que podemos fazer com ele, e com grande ternura; e, com tristeza de coração, observando aquela regra, contudo, não o tendo por inimigo, mas admoestando-o como irmão, 1 Tessalonicenses 3.15.

DOUTRINA 2. Aqueles que são crentes em Cristo, e filhas de Cristo, devem ouvir e inclinar o seu ouvido, e considerar o que Ele diz. 

Ele insiste nisto no texto; e Isaías. 55.3: Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá. Ao falar sobre isto, eu mostrarei:

  • De que maneira deveis considerar.
  • Mostrar-vos-ei algumas coisas que neste dia Ele vos chama a considerar.

I. Quanto à primeira destas, se quereis considerar retamente o que Cristo está dizendo, então deveis fazê-lo:

  1. Atentamente; prestai boa atenção ao que ouvis, e considerai seriamente sobre o mesmo. Oh, meus amigos! Não deixeis os vossos corações vaguearem atrás de vaidades, quando estais ouvindo a palavra, mas que os vossos corações estejam presentes. Temo que muitos de vós esta noite, embora estejais aqui, todavia as vossas mentes estão saindo atrás dos vossos bens, apetrechos e gado, e em casa nas vossas casas.
  2. Deveis fazê-lo em fé, pois sem esta, é impossível agradar a Deus, Hebreus 11.6. Devemos crer não somente que Ele é, mas o que Ele é; que Ele é um Deus santo, justo, sábio e misericordioso — de outra forma não podemos fazer nenhum dever retamente.
  3. Deveis fazê-lo em amor: amando a Ele e a todos os seus mandamentos.
  4. Deve ser feito com deleite; obedecendo alegremente ao que Ele ordena.
  5. Deve ser feito com um espírito submisso, não murmurando contra os seus mandamentos, mas aquiescendo alegremente ao que Ele ordena, sem disputar, embora seja contrário à nossa natureza.

II. Mostrar-vos-ei algumas coisas que Cristo quer que considereis neste dia. Oh! Pensai seriamente sobre as mesmas; não as desprezeis, pois são assuntos de grande momento e consequência, e muito dignos da vossa consideração: Como,

  1. Considerai o vosso estado natural; vós todos nascestes num estado de inimizade contra Deus, num estado de pecado e miséria; por natureza o vosso entendimento está obscurecido, de modo que não podeis discernir as coisas espirituais; a vossa vontade é perversa, de modo que não podeis querer o que é espiritualmente bom; e as afeições depravadas, de modo que não podeis fazer o que é reto. Oh! Considerai seriamente sobre o vosso estado; pois, se morrerdes nesse estado natural, miserável será a vossa sorte.
  2. Considerai a vossa própria impotência para vos ajudardes a sair desse estado miserável em que nascestes, tudo o que podeis fazer nisto será em vão; sim, anjos e homens não vos podem ajudar. Oh! Não penseis em fazer um Cristo dos vossos deveres; pois eles não vos podem ajudar a sair desse estado; e não tenteis fazer um Salvador da vossa própria justiça, pois isso não vos salvará, provar-se-á como trapos podres e vestes imundas.
  3. Considerai a vossa própria indignidade de serdes libertados desse triste estado; pois não há nada em vós que vos recomende a um Salvador. Uma visão correta de vós mesmos, e do vosso pecado, far-vos-á pensar que sois indignos de misericórdia. Oh! Não vos julgueis dignos de salvação, ou mais dignos do que outros, mas humilhai-vos à sua vista, e sob o senso do vosso pecado; tende uma baixa estima de vós mesmos.
  4. Considerai esta grande verdade, esta fiel palavra, que é digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores. Ele é um Salvador completo, e um Redentor bem suprido, capaz de salvar e redimir todos os que vêm a Ele. Oh! Portanto, vinde a Ele; abraçai-o como vosso Salvador, pois Ele está disposto a receber. Oh! Uni-vos a Ele, pela fé, como vosso Profeta, Sacerdote e Rei. Embora o tenhais desprezado anteriormente, contudo agora Ele está disposto a aceitar-vos. Oh! Considerai seriamente sobre isto, pois é assunto de grande importância; sim, de nada menos do que aquilo que concerne ao bem-estar eterno das vossas almas imortais.
  5. Considerai seriamente se vós de fato vos unistes a Cristo ou não.
  6. Oh! Considerai, se nascestes de novo ou não; se alguma vez soubestes o que era a regeneração, e as dores do novo nascimento. Oh! Sentai-vos seriamente, e considerai sobre este grande negócio, ponde-vos à obra do auto-exame; embora seja doloroso e contra a natureza, contudo é proveitoso. Ponde-vos à prova, para ver se sabeis alguma coisa de religião, e da obra salvadora do Espírito de Deus sobre as vossas almas; não penseis que isto é um negócio leve; é de não menos consequência do que a salvação eterna das vossas almas. E,
  7. Considerai os vossos caminhos, Ageu 1.5. Considerai a vossa caminhada pessoal, como vos tendes portado nos vossos caminhos quanto a isso; todos vós que sois culpados de pecados pessoais e escândalos, como embriaguez, juramentos, impureza, ou qualquer outra forma; Oh! Considerai sobre o mesmo; voltai-vos para o Senhor. Lamentai por estas coisas e obtende perdão pelas mesmas. Considerai também o vosso caminho, quanto à causa pública [i.e., a Causa da Aliança], qual tem sido o vosso comportamento em referência a isso. Ai! Vós neste lugar de Fife, muitos de vós sois culpados de defecção das suas verdades, e de complacência com os inimigos. Muitos de vós sois culpados de ouvir esses mercenários abjurados, os curates, embora tenhas recebido aviso fiel em contrário. Oh! Considerai a pecaminosidade de tal curso, pois assim sois culpados de introduzir esse domínio senhorial do prelados em sua casa, que Ele nunca ordenou em sua Palavra; assim consentisse na extrusão dos ministros fiéis de Cristo da sua vinha, e na intrusão desses mercenários abjurados em seu lugar. Sois assim culpados de fortalecer as mãos dos malfeitores; e sois assim culpados de perjúrio; sendo o prelados expressamente abjurado pelos nossos Pactos . Muitos de vós novamente tendes pago o cess [imposto] e a locality [taxa local], para a manutenção e sustento dos inimigos; considerai a maldade disso; pois o pagamento disso é o mesmo que se tivésseis comprado uma arma ou uma espada para dar aos soldados para assassinar todos os servos e povo do Senhor; ou, como se cada um de vós tivesse trazido um carvão para fazer uma fogueira para queimar a todos eles; do pecado disto também recebestes aviso fiel, o que torna o pagamento agora mais hediondo. Muitos de vós também tomaram esses terríveis juramentos e laços [obrigações] que vieram, todos repugnantes ao juramento e laço dos nossos Pactos. Oh! Considerai sobre estas coisas; buscai arrependimento e perdão por elas; e considerai o grande perigo em que o interesse de Cristo está neste dia: O interesse protestante está em perigo de ser arrasado e arruinado; portanto, não estejais seguros.
  8. Considerai o perigo em que estais, e não estejais à vontade. Oh, considerai-o seriamente; despertai-vos, pois Deus está irado com as terras. Não está a nossa religião, e o interesse de Cristo, em grande perigo, quando aquele que agora usurpou o poder régio é um papista professo, e um vassalo jurado e devoto do Anticristo, e alguém que é membro da sociedade dos Jesuítas, o tipo mais cruel e sangrento de todos os Papistas; sim, alguém que disse que deveria converter a Inglaterra à fé católica, ou morrer como mártir; sim, que disse também, que não estaria certo, até que o oeste da Escócia fosse feito um campo de caça? Oh então! Não estamos nós em grande perigo? E agora, para levar adiante os seus desígnios de forma mais indiscernível, Ele concedeu um pretenso favor e tolerância aos protestantes, que Ele pode remover quando achar conveniente; pois, são os seus princípios ser traiçoeiro, e não manter nenhuma fé para com os hereges (como papistas e protestantes).
    Oh, meus amigos, considerai o risco em que estais; pois, embora Ele fale bonito, Ele não intenciona assim. Considerai a pecaminosidade desta tolerância; pois, a fonte dela é o poder absoluto, que o outorgante reivindica acima de todas as leis divinas e humanas; o canal através do qual ela vem, é a remoção das leis penais. As restrições com as quais ela é limitada são pecaminosas, e o desígnio dela é mau. Sim, por esta tolerância, todos os tipos de poder que Cristo assentou em sua igreja são invalidados, invadidos e usurpados. Pois,
    (1.) O poder dogmático, pelo qual os ministros devem julgar a verdade e o erro em ponto de doutrina, de acordo com a Palavra de Deus; este poder é usurpado, e esta chave extorquida das suas mãos. Pois, de acordo com a proclamação, nada pode ser ensinado pelos aceitantes da tolerância, nas suas reuniões toleradas, que possa ser interpretado pela corte, como alienando os corações do povo do outorgante, ou do seu governo; pelo que eles estão amarrados, para que não possam doutrinariamente descobrir ao povo os pecados e ciladas desta tolerância, ou qualquer outro pecado do tempo.
    (2.) O poder diatático [ordenador], pelo qual os tribunais de Cristo devem discernir as circunstâncias do culto de Deus, quanto ao tempo e lugar, para ordem, decência e edificação, de acordo com as regras gerais da Palavra, este poder é invadido. A chave da ordem é arrancada das suas mãos; pois, agora os lugares de culto são determinados na proclamação real, os quais devem ser dados a conhecer a alguns dos patronos da corte, de cuja garantia eles estão obrigados a depender. Entretanto, as reuniões de campo , para o culto de Deus (que foram assinaladamente favorecidas pelo Senhor) são severamente proibidas.
    (3.) O poder crítico, ou corretivo [disciplinar] que os tribunais têm para censurar delinquentes, e absolver penitentes, de acordo com a Palavra de Deus, é também invadido. Pois, não somente esta tolerância rouba os ministros tolerados deste poder de censurar imparcialmente aqueles escândalos que são tolerados por ela, e todos os que se tornam culpados, por cumprirem com a mesma, ou que estiveram envolvidos em complacências pecaminosas e escandalosas anteriormente. Mas também usurpa este poder formalmente, investindo o outorgante desta autoridade para dispensar alguns ministros do exercício do seu ofício, a quem a Palavra de Deus e as leis desta igreja autorizam; e para permitir outros, a quem a Palavra de Deus e as constituições desta igreja requerem que sejam postos de lado, e suspensos dessa função.
    (4.) O poder exausiástico [ministerial ou de envio] de testar, enviar e autorizar oficiais na igreja, é tornado inútil e vazio, por esta tolerância. Pois, suponha que um ministro tenha a sua missão da maneira ordenada por Cristo, e esteja muito bem bem qualificado para exercê-la, e também tenha o chamado do povo; contudo, o mesmo não é de nenhuma significação, exceto se a intimação for feita, a este poder de envio [i.e., o do Rei], dos seus nomes que devem oficiar sob esta tolerância, e eles sejam achados tais como agradam aos patronos da corte.
    Portanto, agora, meus amigos, deveis considerar a pecaminosidade desta tolerância; e assim como quereis manter-vos livres do pecado e das ciladas dela, e dos juízos com que ela será perseguida, deveis manter-vos livres dela, e de apoiar esses ministros que aceitaram a mesma; pois, eles mudaram a detenção [origem/autoridade] do seu ministério, e têm a sua dependência dos tribunais dos homens.
  9. Considerai a desolação da casa e santuário do Senhor, como Sião está assolada, e os seus lugares aprazíveis desolados; os muros de Jerusalém estão derrubados, e ela está roubada de todas as suas coisas aprazíveis. E, Oh! Que estas coisas afetem os vossos corações; não estejais à vontade, ou despreocupados, neste dia da angústia de Sião.
  10. Considerai seriamente como a ira do Senhor está queimando contra a terra. Oh! Há muita ira incumbente e repousando sobre [nós], e muito mais ira impendente e pairando sobre nós; portanto, preparai-vos para a mesma; fugi para Cristo, a cidade de refúgio. Entrai nos vossos aposentos, fechai as vossas portas sobre vós, e escondei-vos por um pequeno momento, até que a indignação seja passada

DOUTRINA 3: Que aqueles que querem crer em Cristo, e ser seus filhos, devem deixar e abandonar o seu próprio povo, e a casa do seu Pai.

Isto é, eles devem abandonar tudo o que receberam na casa do seu primeiro pai Adão, e vir para Cristo, unir-se a Ele, e abraçá-lo. Ele os convida a isto no texto: esquece-te também do teu povo e da casa de teu pai.

I. Ao falar sobre isto, mostrar-vos-emos o que deveis deixar e abandonar.

  1. Deveis deixar a ignorância natural, aquela velha companheira que vos fez companhia desde que nascestes; deveis deixar isso e vir a Cristo por luz. Pois, por natureza, sois ignorantes de Deus, de Cristo, e de vós mesmos; do céu, e do caminho para ele. Oh! Abandonai a vossa ignorância; não descanseis até que tenhais a dizer: Noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor, Efésios 5.8.
  2. Deveis deixar a vossa má vontade, outra companheira que recebestes na casa do vosso pai; pois por natureza a vontade é perversa, somente inclinada para o mal, e não pode querer aquilo que é espiritualmente bom. Oh! Trabalhai para ter isto removido; vinde a Cristo e tende as vossas vontades subjugadas e inclinadas para o que é espiritual, e para que Ele vos faça um povo voluntário no dia do seu poder, Salmo 110.3.
  3. Deveis abandonar a vossa incredulidade, outra velha companheira; esta é uma cria gerada entre as outras duas, a saber, ignorância e má vontade. Oh! Fazei com que isso seja removido; crede em Cristo; e lembrai-vos que sem fé é impossível agradar a Deus, Hebreus 11.6.
  4. Deveis abandonar a vossa sabedoria mundana; o homem natural olha para a religião como loucura, e uma fantasia; e ser religioso, é apenas uma vida pobre, triste e melancólica. Mas, Oh! Os crentes em Cristo, aqueles que têm os seus olhos iluminados, e discernem as coisas espiritualmente, eles verão isso como uma coisa muito diferente; eles verão isso como sendo o poder de Deus, e a sabedoria de Deus; eles olharão para isso não como fantasia, mas como um negócio real; e que não é uma vida triste e melancólica ser religioso, mas uma vida muito agradável e doce: Eles consideram um dia nos átrios de Deus, melhor do que mil, Salmo 84.10. O nobre Gallacius, marquês de Vico, é dito dele “que foi um dos meios da sua conversão, quando ele ouviu um ministro pregar como o mundo olhava para a religião como loucura e uma fantasia, e contudo que realidade, harmonia e aprazibilidade havia nela; pois, disse o ministro, os professos do evangelho são como um povo dançando, e mantendo a ordem ao som de uma música doce e harmoniosa:” . Quando isto é visto à distância por alguém, eles pensam que estão loucos e distraídos, mas quando eles chegam mais perto, e veem que ordem eles mantêm na dança, e que concórdia há na música, eles mudam de ideias. E assim mesmo é com os professos da religião, quando o mundo cego os vê à distância, eles os consideram distraídos; mas qualquer um que se aproxima, verá e observará uma doce ordem agradável, harmonia e concórdia, e então eles mudam os seus pensamentos.
  5. Deveis deixar a vossa cobiça; deveis abandonar a vossa mentalidade mundana, à qual naturalmente sois viciados; deveis deixar tudo isso e vir a Cristo. Numa palavra, deveis deixar tudo o que recebestes na casa do vosso primeiro pai Adão; tudo o que tínheis naquela família, deveis abandonar. Deveis deixar os vossos ídolos, as vossas corrupções, as vossas luxúrias predominantes, esses velhos companheiros, que eram maiores, mais altos e mais fortes do que o resto, deveis deixar tudo isso e vir a Cristo.

II. Agora, pode-se perguntar: visto que devemos deixar tanto ao vir a Cristo, o que receberemos quando tivermos vindo? Oh, meus amigos! Se vós esquecerdes o vosso próprio povo e a casa do vosso pai; se deixardes esses vossos velhos companheiros e vierdes a Cristo, uni-vos a Ele, e abraçai-o, vós recebereis muito mais do que deixastes. Pois,

  1. Sereis acolhidos numa nova família, a própria família de Cristo. Recebereis um novo cabeça e esposo, o próprio Cristo. Recebereis uma nova herança, e novos companheiros, sim, tudo novo; e tudo isto muito mais desejável e excelente do que o antigo.
  2. Sereis feitos belos; pois, por natureza, sois todos impuros e contaminados. Sereis feitos todos gloriosos por dentro, e a vossa veste de ouro tecido. Sereis feitos belos através da formosura de Cristo.
  3. E sendo feitos tão belos através da sua formosura, Ele deleitar-se-á grandemente na vossa beleza. Oh! Que maravilha é esta, que embora o pobre crente não tenha beleza própria, sendo apenas adornado com a formosura de Cristo, contudo Ele se deleitará grandemente na sua beleza, como se fosse a sua própria?
  4. Assim como Cristo terá um interesse comum em vós, e em tudo o que é vosso; assim vós tereis um interesse comum Nele, e em tudo o que é Seu. Podeis docemente viajar através de todos os seus atributos, vê-los e contemplá-los, e fazer uso deles como vossos.
  5. Tereis aquela doce companheira, a Paz de consciência (aquela paz que excede todo o entendimento, Filipenses 4.7) a seguir-vos. Isto falta ao homem ímpio, embora ele possa ter o gozo de nunca tanto do mundo, contudo há uma raiz amarga e um aguilhão em todas elas.
  6. Tereis o vosso estado mudado de um estado de miséria, para um estado de felicidade; da morte para a vida; das trevas para a luz. Sim, recebereis mais do que a língua pode expressar. Se eu tivesse a língua de anjos e homens, não conseguiria obter expressões para manifestar o que recebereis, que vida tereis; porque os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem penetrou no coração do homem, as coisas que Deus preparou para aqueles que o amam, 1 Coríntios 2.9. Oh, portanto! Vinde e abraçai a Cristo; deixai todas as vossas próprias coisas, e uni-vos a Ele.

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